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25 de Julho de 2021
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    Afinal, Que tiro foi esse?

    O Brasil que não sabe de onde, tampouco quem disparou a arma de fogo.

    Lucas Sales, Advogado
    Publicado por Lucas Sales
    há 3 anos

    Nas últimas semanas o hit “Que tiro foi esse?”, da funkeira Jojo Maronttinni, mais conhecida como “Todynho”, tomou conta das rádios, dos “spotyfys” e das redes sociais de (quase) todo mundo. Em tom lúdico, milhares de pessoas gravaram e compartilharam centenas de microvídeos, onde pessoas, ao som da música, simulavam o recebimento de disparos de armas de fogo e se jogavam ao chão, e depois se levantavam dançando, sorrindo.

    Longe de mim tecer quaisquer críticas a referida música. Cada um ouve o que quer - na maioria das vezes -, não é verdade? Mas, entendo ser salutar a exibição e discussão de alguns dados sobre a Segurança Pública de nosso país, com o fito de demonstrar a sua estreita e sofrida relação com a música “Que tiro foi esse?”. Vamos lá?

    Nosso país, segundo levantamento feito pela ONU (Organização das Nações Unidas), é o país com o maior número de mortes por balas perdidas entre os países da América Latina e Caribe durante os anos de 2014 e 2015. É aterrorizante.

    Nossos telejornais, diariamente e incansavelmente, noticiam mortes ocorridas em razão de disparos de armas de fogo, sejam elas por balas “perdidas”, ou “achadas”. Os números são assustadores e próprios de um país que vive em guerra declarada. E o pior é que, vagarosamente, estamos nos acostumando com a violência, como se ela já fizesse parte de nosso cotidiano, como sair para comprar o pão. Afinal, como sair para trabalhar e não assistir pela manhã no noticiário a morte de mais um Policial militar, ou de uma jovem grávida atingida por um disparo de arma de fogo, numa tentativa de assalto?

    E enquanto isso, as Secretarias de Segurança Pública, as Polícias investigativas, o Judiciário não conseguem responde de forma eficaz os questionamentos feitos pela sociedade e pelos familiares das vítimas:

    “- Que tiro foi esse?” “- Quem atirou?” “- Porque atirou?” “- Como atirou?” "-Quando vai ser julgado?".

    E, ante a ausência de respostas, na infinita maioria das vezes, esses questionamentos, que ecoam durante anos e anos, ficam sem respostas, até serem sentenciadas ao esquecimento. Afinal, como descobrir as evidências de um crime e o seu autor se as as Autoridades responsável sofrem sem o devido aparato investigativo? Como julgar em tempo razoável o suposto autor se temos um judiciário caótico e lento (como o da Bahia)? É uma missão quase impossível, não?!

    Pesquisas indicam que de 50 mil homicídios ocorridos no país, por ano, a estimativa, divulgada pelo Ministério da Justiça, é de que apenas (5%) sejam elucidados, com o autor (ou os autores) descoberto e preso.

    “-Que tiro foi esse que tá um arraso?”

    Não se sabe, não se viu quem atirou, mas todos dias, estamos sendo atingidos e fenecendo a cada vez que um tiro é disparado e uma vida ceifada, sem ser seu Autor identificado e responsabilizado nas devidas proporções legais.

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    Como sempre, sábio em suas palavras...Parabéns! continuar lendo